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quarta-feira, 9 de junho de 2010

- Olha aquele pássaro – Steve disse apontando para cima. Mary acompanhou o dedo do menino e começou a rir.
- Não to vendo nada, tá tudo embaçado – Falou e então Steve começou a rir também.

- Eu também – Ele admitiu e ambos continuaram a caminhar pela chácara. Já estava escuro e Mary sentia que cambaleava nos saltos.
- Ai, deixa eu tirar essa droga do pé – Falou, rindo e se apoiando em Steve pra tirar o pé da melissa de salto roxa em camurça – Pronto, bem melhor – Disse, botando os pés nus no chão frio, ainda apoiada a Steve.
- Você voltou a ser baixinha – Ele disse, olhando a menina a sua frente que mostrou a língua. Ele a achava linda, ainda que bêbada. As faces rubras e brilhantes, as pupilas dilatadas e a expressão de estar aérea. Os cabelos pretos e repicados bagunçados em um coque mal feito. Ainda sim, ele a queria.
- Sou baixinha, mas sou feliz – A menina disse erguendo os braços com um pé do sapato em cada mão. Perdeu o equilíbrio e Steve a segurou.
- Feliz e bêbada! – Ele disse, rindo da menina que começou a gargalhar. Ele segurou firme em sua cintura, não por medo dela cair, mas porque não queria solta-la.
- A culpa é sua – Mary disse, fazendo a melhor cara de dó que podia e pondo o dedo nos lábios de Steve. Olhou para o local. Se tinha algo em Steve que ela gostava eram os lábios. Eles eram perfeitos, tinham um desenho perfeito. Nem muito carnudos, nem finos demais. Eram levemente virados pra cima, em um sorriso permanente, o que o deixava atraente. Ele tinha uma expressão abobalhada na cara, não sabia se pelo efeito da bebida ou pela aproximação do momento. Ele mexeu a cabeça levemente, e Mary observou seu cabelo cacheado balançar. Outra coisa que a atraia.
- Minha? – Steve perguntou, fazendo cara de inocente e Mary despertou de seus pensamentos. Tirou o dedo dos lábios dele, fechando a mão e a deixando solta.
- É, sua. Você me obrigou a beber, eu não queria – Mentiu, fingindo drama e Steve arregalou os olhos.

- Ah claro, fui eu que bebi quatro doses de tequila a mais do que agüento só pra ganhar 30 reais do menino lá – Rebateu e Mary riu.

- YAY! EU TENHO 30 REAIS! – Ela disse, feliz, e Steve começou a rir – Mas a culpa ainda é sua.
- Porque minha? – Perguntou de novo e Mary sorriu.
- Porque eu quero que seja – E dizendo isso, mordeu a bochecha do menino que deu um grito de dor.

- Desgraçada – Ele soltou a cintura dele e colocou a mão no rosto. Mary aproveitou o momento e começou a correr – Volta aqui! – Steve gritou indo atrás dela. Os dois riam enquanto corriam cambaleantes pela chácara cheia de gente. Eles esbarravam nas pessoas sem se importar, nem viram quando derrubaram um casal na piscina. Mary entrou em um corredor do lado de fora da casa e foi correndo. Steve vinha logo atrás dela e então ela a pegou pela cintura.

- Agora você me paga – Ele disse enquanto Mary dava seus gritinhos entre as risadas – Porque me mordeu?
- Porque eu quis – Ela ainda ria enquanto se debatia pra sair do abraço do menino. Steve a pôs contra a parede, segurando suas duas mãos pra cima – Me deixa sair!

- Tenta! – Falou, sorrindo de forma maliciosa. Ambos se olharam e pararam de rir, agora apenas a respiração dos dois era audível, mas não tinha ninguém pra reparar nisso. Estavam sozinhos atrás da casa.
- Não quero – Mary se ouviu falando enquanto Steve se aproximava mais dela. Fechou os olhos instintivamente ao sentir a respiração quente do menino bater em seu rosto. Ele levou isso como um sinal verde e deixou que seus lábios tocassem os lábios macios dela. Ela abriu os lábios aos poucos permitindo que ele aprofundasse o beijo. Steve soltou os braços da menina aos poucos e desceu para a cintura, a abraçando enquanto intensificava o beijo. Mary passou as mãos pelo ombro dele, segurando seus cabelos com uma. O beijo se intensificava cada vez mais, as mãos de Steve já passeavam pelas costas de Mary por baixo da blusa enquanto ela dava puxões no cabelo do menino. A respiração ficava ofegante a cada segundo e Mary já sentia seu corpo prensado contra a parede e o menino. O beijo só se partiu quando ambos não tinham mais reservas de ar para usar e respirar se tornara extremamente necessário.

- Ok, ar, preciso dele – Mary disse, mais vermelha do que antes e então voltou a rir, passando as mãos novamente pelos ombros de Steve e olhando sua boca – O que estamos fazendo?

- Sei lá... O que a gente teve vontade? – Steve falou como se fosse óbvio e Mary respirou fundo.
Mesmo bêbada, sabia o quanto aquilo não era certo.

- Ok, vamos voltar pra festa. A gente não tá bem – Falou, empurrado Steve levemente pro lado e saindo, mas ele segurou seu pulso.
- Porque? Não gostou? – Ele perguntou a olhando com a cabeça de lado, fazia isso quando ficava confuso.

- Não quero fazer algo que eu possivelmente não vá me lembrar – Mary respondeu, mordendo o lábio e soltando o braço de Steve, voltando pra festa. Agora era mais fácil respirar, mas ainda sentia um sufoco no peito.