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quinta-feira, 29 de abril de 2010


Futuro. As vezes me pego pensando sobre isso.
Esse conceito monstruoso chamado futuro... Crescer, em todos os sentidos.
Porque não podemos continuar pequenos? Adolescente inconsequentes vivendo de momentos, sem pensar em consequência ou razão.
Soa tão fácil, simples.
Crescer, fazer escolhar, mudar, se esforçar, ser responsável...
Seria tão mais simples viver o momento sem pensar em nada.
Sem pensar em como vai ser se eu fizer isso.
Se eu fizer aquilo, se...
Eu prefiro deixar rolar, mas o futuro se aproxima e eu começo a sentir a pressão dos anos que virão por aí.

Porque eu tenho que crescer?

domingo, 11 de abril de 2010

- Imagina uma casinha.
- Imaginei.
- No alto de uma colina.
- Tipo a do casal d'A Nova Onda do Imperador?
- Não. Aquilo não é uma casa.
- É sim...
- Aquilo é um chalé.

- Então é pra imaginar um chalé?
- Não! Esquece a casa do Patcha, ou seja lá o nome dele.
- Tá.
- Imagina uma casa no campo, é.

- Daquelas bem grandes ou pequenas?
- O que você gosta mais?
- Pequena. Grande dá muito trabalho pra limpar.
- Não pensa nisso. Você não precisa limpar ela.

- E quem vai limpar? Porque a casa suja, sabe. Poeira, comida, se tiver cachorros então...
- Jullie, pára! Não tem isso. A casa é imaginária! Ela... Se limpa sozinha.
- Tá, tá. Ok, grande.

- Ok, imagina agora alguns cachorros correndo pelo gramado.

- Alá, tem cachorros, vai sujar.
- Jullie...

- Desculpa...

- Agora imagina duas criancinhas brincando no parquinho á direita.

- Peraí. Qual o tamanho das crianças? E a raça dos cachorros?
- Sei lá. As crianças tem entre dois e três anos...

- E os cachorros? Poodles, pitbull, pintcher...

- Acho que dois collies.
- Ok, então é melhor prender os cachorros.

- Porque?
- Tem crianças pequenas, Oliver! Se o cachorro pular neles, faz estrago.

- Jullie, você tá estragando a brincadeira!

- Desculpa, eu só estou vendo as possibilidades!
- Você se preocupa demais, sabia?
- Eu gosto de tudo certo, po! Sou perfeccionista.
- E é perfeita.

- Own, que fofo *-*
- Te amo, Juh.
- Te amo, Oli.

- Vamos voltar a casinha?
- Vamos.

- Ok, imagina então...
- Piscina?
- Isso, uma piscina e uma festa de arromba.
- Mas se tá tendo festa, quem tá cuidando das crianças? E dos cachorros? QUE BADERNA OLIVER!

- Desisto ._.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Palavras SÓ atrapalham



Todos cochichavam, empurrando a pequena morena que insistia em se manter estática no meio da roda de amigas. O único movimento que se limitava a fazer era negar com a cabeça enquanto suas amigas a incentivavam com frases monossilábicas como “Vai!” ou algo mais animador como “Larga a mão de ser troxa!”
- Não vou! – Julie disse, num sussurro irritado e nervoso, mas suas pernas começaram a se mover sozinhas depois que uma de suas amigas a empurrou. Ela olhou pra trás para xingar quando algo sólido veio ao seu encontro, chamando sua atenção. Era ele. Perfeito, tinha esbarrado nele. Justo nele.
- Oliver! Oi, desculpa, eu... – Ela começou a falar, nervosa.
- Oi, Julie – O menino disse, sorrindo.
- Não era a intenção, eu... Quer dizer, era a intenção sim mas... Não esbarrar em você, claro que não era essa a intenção né... A intenção era falar com você e... – Começou a falar, toda confusa – Respira, Julie – Falou para si mesma, tomando ar.
- Julie, você ta bem? Parece meio tensa... – Oliver disse, pondo a mão no ombro da menina que tremia inteira.
- Tensa, palavra perfeita. To bem, to bem... Eu pareço nervosa? Porque eu não to sabe... Eu só to falando muito e rápido porque é meu jeito de falar, nada diferente, tudo normal... Porque? Eu não pareço normal? – Falou de uma vez só, deixando Oliver confuso e com vontade de rir. Ambos olharam para trás, onde as meninas cochichavam olhando os dois.
- Tem algo que você quer dizer? Ou ta sendo obrigada a dizer? – Oliver perguntou, voltando sua atenção para Julie.
- Exatamente! Tem algo que eu queria dizer. Na verdade, eu não queria dizer, acho que as pessoas se atrapalham com palavras e acabam enroladas e parecendo loucas e muitas vezes acabam não falando nada e... – A menina parou de falar e olhou para Oliver que parecia segurar o riso – Eu to fazendo isso agora, não to?
- Ta – Ele disse, balançando a cabeça e rindo levemente – Não tem como resumir? Ir direto ao ponto?
- Ter, tem. Mas eu não sou muito boa com palavras e a arte de resumir – Julie passou a mão na nuca, sem graça.
- Você vai dizer o que eu to pensando que é? – Ele perguntou, olhando desconfiado.
- Depende, não consigo ler mentes, então... Seus pensamentos são um mistério pra mim – Julie disse, mexendo no cabelo.
- Ok, vamos fazer o seguinte – Oliver disse fazendo todos os que cochichavam ali por perto ficarem em silencio e prestarem atenção nele – Como você disse, pessoas se atrapalham com as palavras, então... Eu vou te mostrar o que eu to pensando. Com um gesto, topa? – Ele perguntou, se aproximando da menina que tremia inteira, de novo.
- P-p-poder ser – Julie meio que cacarejou enquanto Oliver se aproximava.
- Essa seroa a minha resposta se você fosse falar o que eu acho que é – O menino falou, aproximando-se mais ainda. O pulso da menina podia ser ouvido de longe de tão forte que era e de tamanho o silêncio que se encontrava no local – Bem devagarzinho – Oliver sussurrou á milímetros do rosto de Julie.
- Sabe, essa coisa de “devagarzinho” só ta aumentando meus nervos e eu vou começar a ficar nervosa e enrolar tudo, falar coisas sem noção e... Oliver, isso é maldade! – Julie disse quando os lábios do menino ameaçaram encontrar os seus e voltaram pra longe. O menino riu, provocando.
- Julie, já disseram que você fala demais? – Ele sussurrou e a menina riu, nervosa ao extremo.
- Eu sei, as vezes eu não sei como calar a boca – Disse, sem tirar os olhos dos lábios do menino.
- Eu tenho uma sugestão – Oliver falou e acabou com a distância entre os dois, grudando seus lábios nos de Julie e acabando com toda a faladeira da menina. Junto com a fala, o nervosismo também foi embora enquanto os braços da menina subiam pelos braços de Oliver e os braços do mesmo se fechavam em sua cintura em um ritmo lento e provocante como o do beijo. Foram algumas risadinhas vindas de trás de Julie que os fizera voltar a realidade. Não disseram palavra, apenas se olharam por algum tempo.
- E então? – Foi Oliver que quebou o silêncio daquele abraço.
- Você me economizou 5 minutos de fala – Julie disse, vendo o menino a sua frente rir do comentário infame.
- Posso te ajudar a economizar mais algum tempo, se quiser – Oliver sussurrou e Julie sorriu.
Economizaram hora e horas ali, parando apenas pra recuperar o fôlego e conversar inutilidades.


Gestos são sempre melhores que palavras. DEMONSTRE.



Pessoas e nomes foram mudados pra minha própria segurança. Sim, eu sonhei isso. ;xx